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A pintura, como qualquer forma de expressão, está muito para
lá daquilo que vemos ao olhar a tela.
Nesta série de obras, intitulada “Com o Rei na Barriga”, Ricardo Passos
remete-nos para um significado mais profundo do que o habitual “dar-se ares
de importante”.
Ao olharmos estas telas é impossível que nos passem despercebidas as
questões que o autor quis retratar; uma série de trabalhos que vem no
seguimento das anteriores, com abordagens de um universo estritamente
feminino: a procriação, a gravidez, a maternidade, a responsabilidade de
criar e educar, e sobretudo a responsabilidade de educar quem terá
responsabilidades maiores.
Serão as rainhas apenas mães de crianças ou personagens cujo dever é maior
que a simples ventura de fruir a relação maternal?
Onde acaba o apelo da maternidade e começa o dever de gerar? Que papel
estava destinado às rainhas e aos príncipes herdeiros cujo nascimento tantas
vezes era ansiado como uma concretização de um tratado de paz?
“Com o Rei na Barriga” é um deleite para a vista, mas também um elemento de
reflexão sobre as obrigações adicionais da realeza. |