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Edel Vecci

imagem Convido-os a conhecerem “Alma Minha”, entrem sem bater, a porta esteve aberta o tempo todo.

 

 


 

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A série “Alma minha” surgiu da necessidade, do desejo de transformar a realidade sensível através da expressão do que há em mim.
Foi utilizado o desenho como forma de projeção do inconsciente.
A pesquisa iniciou-se com a enorme colaboração de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa. A poesia, presente em minha origem, onde as coisas são sentidas tais como são.
Em todas as pessoas, existe o lado do desejo de se aventurar em busca do desconhecido, mas há também a grande tendência de regressar ao abrigo, ao porto seguro onde é fácil fincar as amarras.
O homem tende a voltar às origens.
Se os laços que prendem o ser humano são tão poderosos, o ato da separação é sempre traumatizante, entretanto, sua repetição é compulsiva e incontrolável.
O que fazer se todas as contingências que produzem afastamento são angustiantes?
Toda a existência parece orientada para o reencontro com o estado intra-uterino.
Mas o indivíduo não é instrumento passivo dos fatos ambientais, ele possui a capacidade de se relacionar com seus desejos íntimos.
A criatividade do indivíduo pressupõe a libertação às formas comuns de dependência em que vivemos, podendo nos valer de nossa própria vontade para estabelecer um estilo de vida.

“Pequeno e trivial aforisma: nada se faz em arte só pela vontade, tudo se faz por uma dócil submissão ao que vem do inconsciente”.

“Alma Minha” e suas portas ou janelas encontram-se nos limites da vigília, na região onde a experiência humana não é nem deixa de ser, e na qual, apesar disso, permanece em movimento.

 

“Nada me prende, a nada me ligo, a nada pertenço

Todas as sensações me tomam e nenhuma fica

Sou mais variado que uma multidão de acaso

Sou mais diverso que o universo espontâneo

Todas as épocas me pertencem um momento

Todas as almas um momento tiveram um lugar em mim

Fluido de intuições, rio de supor.

Mas sempre ondas sucessivas,

Sempre o mar-agora desconhecendo-se

Sempre separando-se de mim, indefinidamente”.


“Álvaro de Campos”
 

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