Waldemar Marangoni Júnior - São Paulo - São Paulo - Brasil. Nasceu em São Paulo
em 1972, desde menino se interessava por desenho, já demonstrando grande
habilidade com formas e proporções.
Incentivado pela mãe começou a pintar aos 10 anos, onde mostrou, através de suas
aptidões e interesses as diretrizes de seu destino: a pintura.
Passados alguns anos de pintura autodidata, em 1987, inicia seus estudos com o
pintor Renato Pinto e seqüentemente abre seu próprio atelier aonde veio a ter
seus próprios alunos.
No ano de 2005, passa a estudar com o pintor Sérgio Longo, onde mergulha de
cabeça na arte contemporânea.
Um artista em ascensão indiferente a modismo, sua obra demonstra toda sua
autenticidade, suas técnicas e cores revelam seu dom e amor pela arte.
Abstrações urbanas
Pintar pode ser um desafio técnico, mas, antes de tudo, precisa ser uma relação
visceral com as tintas e a tela. Mais do que discutir a arte, o artista
necessita ter um envolvimento com aquilo que faz principalmente no aspecto de
buscar um aprimoramento técnico e uma linha de trabalho que o satisfaça enquanto
pesquisa estética.
Maramgoní, com suas Abstrações urbanas, atinge um resultado plástico instigante.
Desde os 9 anos, ao acompanhar as aulas de pintura que a mãe fazia, entrou no
universo das tintas. E não parou mais. Acompanhou os primeiros passos na técnica
e, ainda adolescente, começou a dar aula com tinta a óleo.
Após passar por vários momentos, linguagens e estilos, encontra, nas suas visões
urbanas, um assunto que pode desenvolver dentro de uma técnica balizada pelo
conhecimento dos cânones do academicismo, como conceitos de luz e sombra e
diálogo entre as cores, com a pesquisa autodidata desde o primeiro contato com a
pintura.
As visões urbanas de Maramgoní estão caracterizadas por um fazer técnico que
leva em conta princípios de arquitetura, como perspectiva e continuidade das
linhas, mas, progressivamente, existe um processo de desconstrução daquilo
considerado bem feito.
Nas telas trabalhadas em cinza, ocorre a visualização de uma cidade, mas esse
referencial é, pouco a pouco, destruído, não de maneira aleatória, mas pela
introdução, por exemplo, de mais de uma perspectiva em cada quadro ou pelo uso
de massas de cor que quebram expectativas renascentistas de ou ainda por
respingos à Pollock que, muito mais que marcas eventuais ou incertas, tendem a
surgir a partir das próprias estruturas arquitetônicas evocadas.
A cidade, geralmente São Paulo, nesse processo de construção e desconstrução de
imagens, pouco a pouco, perde seu referencial mais direto e se torna um local
impessoal e universal. O que começa a ser ressaltado é a pincelada em si mesma e
a técnica. Gradualmente, a preocupação deixa de ser o que se pinta para ser como
se pinta.
Esse é o grande passo de um criador. No momento em que se debruça sobre o metiê,
sobre a melhor maneira de resolver os problemas que a feitura coloca, o artista
começa a mergulhar mais e melhor nas formas que encontra de desenvolver um
assunto e uma técnica.
O universo urbano, pontuado pela entrada gradual de áreas abstratas que, muito
menos que esconder a referencialidade exterior, a valorizam no sentido de
promover um rico diálogo entre o manifesto e o sugerido, torna-se então a
metáfora da velocidade pela qual o pintor paulistano parece aprimorar o seu
trabalho.
Maramgoní oferece sua visão de arte por meio de uma obra que toma o universo
citadino como ponto de partida. Cada nova imagem é um processo de consolidação
de sua pintura no mundo e sua afirmação para estabelecer sua própria linguagem,
lírica nos seus melhores momentos, abstrata, no sentido de colocar questões, e
urbana por ter nos edifícios e na cidade o assunto que estimula a sua matriz
criadora.
Oscar D’Ambrosio, jornalista e mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes
da Unesp, integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA- Seção
Brasil).
Contacto:
maramgoni @ gmail.com